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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A Saúde da Saúde, por Marcos Pacheco

* Por Marcos Pacheco

Vi-me alçado da condição simples de professor e coordenador pedagógico de um curso de medicina, como também de médico assistente de um Centro de Saúde do bairro Vicente Fialho, em São Luís, para o mais alto cargo de gestão do Sistema Público de Saúde do nosso Estado – o nosso querido, contestado, por vezes conturbado, mas consolidado SUS. De certo modo fui surpreendido com o convite, muito provavelmente determinado, como tem expresso nosso governador, quando se refere aos seus auxiliares, pelas condições técnicas de nossa formação, mas também pela história de militância e luta por mudanças no modo de se fazer política no Maranhão.
Assumimos o cargo no dia primeiro de janeiro, mas mesmo antes de assumirmos, eu e a secretária adjunta Rosângela Curado, que já vínhamos trabalhando no grupo de transição, estivemos, no dia 23 de dezembro (antevéspera do natal), em audiência com gestores da cidade de Teresina no sentido de reabrir a porta de entrada para pacientes egressos do Maranhão em tratamento, sobretudo de câncer, naquela cidade. E isso tem sido muito bem conduzido, inclusive, como resultado de audiência recente. Da mesma forma, em visita recente à cidade de Imperatriz, instituímos convênio com a Clínica Oncorradio, daquela cidade para atender pacientes com câncer, abrindo mais uma porta para tratamento dos maranhenses que sofrem com esse terrível mal.
Passados trinta e um dias de gestão, encontro-me com um colega médico. Ele, preocupado com o peso do cargo, melhor dito, encargo, que nos pesa, depois de uma boa conversa extremamente crítica e analítica da situação, do emaranhado e do tamanho do “embrulho”, faz o seguinte comentário: Marcos não vai dar para fazer muita coisa, a estrutura é muito pesada, complexa e institucionalmente viciada; os processos de trabalho vão te limitar muito. Ouvi meu colega com paciência, fiz um breve comentário, mas confesso que não lhe apresentei contrarrazões suficientes que o levassem a pensar o contrário. Voltei para casa, pensativo, mas no trajeto de quinze minutos fui lembrando as ações que já implementamos apenas nestes trinta dias de gestão, com apoio absoluto do governador Flávio Dino:
  1. Ampliação do acesso à radioterapia para pacientes com câncer no nosso Estado e ultimar ações para ampliar a quimioterapia no curto prazo;
  2. Instituição de uma regulação de leitos “amigável” com vistas a sua plena unificação entre o Estado e os municípios na região metropolitana;
  3. Articulação efetiva dos serviços do SAMU com as UPAs, agora as ambulâncias podem entrar e sair porque o que importa é a vida dos pacientes e não os interesses de gestores;
  4. Instituição de um grupo de trabalho para organizar, via edital público, em sessenta dias, um concurso de projetos para dar mais racionalidade econômica à gestão dos nossos hospitais e unidades, atualmente vinculados por termos de parcerias sem uma boa avaliação de desempenho, tanto físico como financeiro;
  5. Instituição de um grupo de trabalho para organizar, via concurso público, portanto como carreira de estado, a criação da Força Estadual de Saúde, grupo tático sanitário, formado por profissionais de saúde com a missão de modificar o cenário dos indicadores de saúde nos municípios com menor IDH, através da imersão regular e permanente na assistência e qualificação dos processos de trabalho na atenção básica;
  6. Articulação efetiva com o município de São Luís, na busca da ampliação dos leitos de retaguarda para as portas de urgência e emergência dos Socorrão I e II, como também das UPAs, através de um redesenho da distribuição e natureza assistencial das Unidades Mistas e recuperação de novas Unidades;
  7. Ampliação dos leitos de obstetrícia com a reinauguração, em curto prazo, da Maternidade Benedito Leite e mantendo a nova Maternidade da Cohab;
  8. Instituição de um grupo de trabalho para implementação da gratificação por desempenho para os Agentes Comunitários de Saúde, como forma de fortalecer a atenção básica, sobretudo, o monitoramento efetivo sobre crianças, gestantes, hipertensos, diabéticos e hansenianos;
  9. Reunião e realinhamento com os apoiadores do Ministério da Saúde para as Redes de Saúde no Maranhão, como forma de estreitarmos e intensificarmos relações com o ordenador da Política de Saúde em âmbito nacional;
  10. Negociação com instâncias dos Sistemas de Justiça para instituição de uma Câmara Técnica de Mediação e Conciliação das demandas da saúde, com vistas evitar a sua judicialização;
  11. Definição de uma prioridade e foco da gestão. Diante de tantos, diversos e complexos problemas e desafios, precisamos ter foco. E foi assim que, de forma coletiva e solidária, a nossa equipe entendeu que precisávamos, efetivamente, fortalecer a nossa atenção básica. Portanto, esse é o nosso foco, sem prejuízo da qualidade do atendimento conquistado na rede hospitalar, vamos agora focar na atenção básica, junto com os municípios, buscar qualidade nesse nível assistencial.
Bem, ao chegar em casa, resolvi escrever essa breve missiva ao meu colega, pois mesmo reconhecendo as gigantescas dificuldades, muito pode ser feito, muito já foi feito por outras gestões e muito ainda será feito, mas precisamos acreditar que é possível. Mas antes, ao ligar o computador, para minha surpresa, deparei com o cartaz e lema da Campanha da Fraternidade/CNBB deste ano de 2015 – “Eu vim para servir” (Mc 10,45). Pois bem, é esse espírito que deve permear os processos de trabalho e a postura de todos os servidores da Saúde – estamos lá para servir. Do porteiro da unidade ao secretário.
Encerro minha cartinha reafirmando ao meu querido colega quase incrédulo: Eu acredito! Nossa equipe acredita! Na nossa equipe não existe um único empresário, mas somos todos empreendedores do serviço público, não tem nenhum político patrimonialista, mas somos todos comprometidos com a política e o patrimônio público. Apesar dos inúmeros problemas, nossa equipe vai trabalhar muito pela saúde da saúde. Não me pergunte o quanto faremos, se pouco ou muito, mas tenha certeza, vamos semear mudanças, na defesa assistencial da vida dos maranhenses. Tudo isso porque temos um líder que nos instiga, motiva e nos inspira. Obrigado governador Flávio Dino!
* Marcos Pacheco é Médico Sanitarista, Bacharel em Direito, Mestre e Doutor em Políticas Públicas, atualmente exercendo o cargo de Secretário de Estado da Saúde do Maranhão.

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