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terça-feira, 5 de abril de 2016

Mesmo recebendo recursos milionários, prefeitura de Coroatá mantém hospital fechado‏

Fechamento do Hospital Municipal e de Postos de Saúde em Coroará geram sobrecarga em unidades estaduais de saúde. 

Blog do John Cutrim.


Em novembro de 2014, o ex-secretário de Estado da Saúde Ricardo Murad foi conduzido coercitivamente por agentes da Polícia Federal para prestar depoimento dentro da Operação Sermão aos Peixes, cujo título foi inspirado no famoso sermão contra a corrupção proferido pelo Padre Antônio Vieira em São Luís no ano de 1654.

Murad e uma quadrilha que a PF diz ter sido liderada pelo ex-secretário foram flagrados pela Polícia Federal em um esquema de desvio de pelo menos R$ 114 milhões dos R$ 2 bilhões repassados ao Governo Roseana Sarney pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) entre 2010 e 2014.



Mesmo que tenha a Polícia Federal em seu calcanhar por conta dos supostos desvios feitos na saúde durante o governo Roseana, há fortes indícios de que Murad continua a gerir recursos públicos do setor de saúde, desta vez em Coroatá, município administrado pela esposa do ex-secretário, Teresa Murad.

Logo no primeiro ano de mandato, a prefeita Teresa Murad fechou o Hospital Geral Municipal (HGM). Com o fechamento, a prefeitura deixou de atender os serviços de urgência, emergência e de alta complexidade.

Além do fechamento do HGM, Teresa Murad determinou o fechamento parcial de todos os postos de saúde da cidade. Os que funcionavam o dia todo, agora abrem apenas até o meio dia e, ainda assim, de forma precária, como atestam os moradores da cidade.

Mesmo com o hospital fechado e os postos de atendimento funcionando durante metade do período, Coroatá continuou recebendo integralmente os repasses do Mistério da Saúde, que somam R$ 65 milhões de reais (entre 2013 e março de 2016).

O HGM de Coroatá fechou as portas em primeiro de janeiro de 2013, ano em que o município recebeu mais de R$ 20 milhões de reais do FNS. Pouco tempo depois, o hospital, que atualmente abriga apenas um Centro de Especialidade, passou por reforma que custou R$ 5 milhões. Detalhe: o prédio é alugado.

O fato é que sem atendimento de urgência e emergência no HGM e com postos de saúde funcionando precariamente, restou à população de Coroatá recorrer às unidades mantidas pelo Estado, a exemplo do Hospital Macrorregional de Coroatá e da UPA, unidades que mantêm a política de portas abertas aos pacientes de forma permanente.

Prédio onde funcionava o HGM agora abriga o CEM que antes funcionava no Bairro dos Americanos.

Deputada estadual eleita pelo PMDB, Andrea Murad, filha de Ricardo Murad e da prefeita Teresa, jamais subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão para dar uma satisfação aos coroataenses a respeito do fechamento de unidades de saúde do seu principal reduto eleitoral. Ao contrário, a parlamentar se queixa da superlotação do Hospital Estadual, provocada justamente pela ausência das unidades municipais.

Acusada de se beneficiar do desvio de recursos da saúde estadual promovido pelo pai, Andrea Murad prega o caos na saúde, e é imediatamente replicada por blogueiros citados em relatório da PF como igualmente beneficiários dos desvios na saúde.

A estratégia, evidentemente, tem como objetivo desviar o olhar dos incautos para o fato de que a família Murad continua administrando recursos da saúde enquanto a população continua sem atendimento decente.






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