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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O tempo e a política em terras coroataenses

Foto: Arquivo pessoal
Por Elielton Fernandes, professor

O tempo é algo surpreendente, ele me ensina que, a vida enquanto teatro real gira em torno da lei da ação e reação, pois evidencia que o bem e o mal que direcionamos para os outros, nos retorna na mesma ou maior intensidade. Esta tese vale, também, para a política, uma vez que esta é uma atividade humana onde ações e sentimentos estão envolvidos.

Em 2009, presenciei o ex-governador Jackson Lago, hoje falecido, ser expulso do Palácio dos Leões por meio de um processo que pulou instancias judiciais, tudo para satisfazer aos caprichos dos modernos capitães hereditários (Sarney, Lobão, Murad), reclamantes do mesmo. A população que, credenciou seu voto, sua confiança e esperança de dias melhores no projeto de Lago ficou frustrada ao ver a sua opinião jogada no lixo, descartada pela alta corte judicial. Com esta decisão, Roseana Sarney – a princesa Isabel da terra de Gonçalves Dias – tornou-se governadora e, Ricardo Murad, secretário de Saúde, entendendo desta área o tanto que entendo de francês. 

Com a mudança no cenário político, Murad tornou-se muito poderoso e, iniciou uma verdadeira perseguição política a seu principal opositor no município, o então prefeito, Luís da Amovelar que, de fato fazia um governo com resultados abaixo do esperado. Senti que o governo deste estava liquidado, com poucas possibilidades de sucesso. Enquanto isso, Murad valia-se de todos os órgãos do estado para alcançar seu grande objetivo: eleger sua esposa prefeita do município. O tempo passou e, 2012 chegou. Murad realizou uma campanha financeiramente robusta, abriu instituições estaduais dentro do período eleitoral, servindo de cabide de votos e fazendo os munícipes agradecerem por estes serviços, como se os mesmos fossem favores e não a concretização de direitos constituídos. Além disso, usou de seu prestígio e poder para intimidar militantes políticos do adversário de sua mulher, estando acima do bem e do mal. Venceu a eleição, mas trouxe consigo as mesmas características do passado para a administração: perseguição e centralização de poder.

Como professor do município, presencio o modo autocrático desta administração, mas não me calo, não fico omisso, não estudei durante anos numa academia e tampouco estudei com afinco para passar em um concurso público e ficar calado diante de tamanhas injustiças. Mas, nos últimos dias as coisas mudaram, Murad vem perdendo parte do poder de outrora, vendo sua esposa cassada por abuso de poder político e econômico nas ultimas eleições, deixando a administração instável.

Diante do ocorrido, tenho a certeza que tudo isso faz parte da lei do retorno em que o tempo é juiz.

Elielton Fernandes é pedagogo pela UEMA e professor concursado da rede municipal de ensino em Coroatá

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